Tendências do turismo em 2026, segundo a Condé Nast Traveller — e o meu olhar
- Jemima Vautero

- 14 de jan.
- 8 min de leitura
Você que começou a ler esta matéria, aposto que já parou para pensar nos destinos que ainda não conhece e gostaria de conhecer. Ou quem sabe já se pegou rolando o feed e vendo aqueles amigos em uma viagem linda, pensando: “Será que um dia eu vou conhecer esse lugar?”
Uma coisa é clara: não importa quem você seja, a vontade de viajar nem que seja para um lugar próximo da sua cidade — é necessária e latente.
E em 2026, várias tendências do turismo me fizeram refletir sobre destinos e experiências para os meus viajantes da minha boutique de viagens.
Segundo a Condé Nast Traveller, uma das revistas mais renomadas do mundo quando o assunto é turismo, existem tendências que estão cada vez mais fortes e evidentes.
E eu vou mencionar aqui três que, particularmente, chamaram muito a minha atenção.
Wellness: viajar para cuidar da saúde
Traduzindo, wellness significa bem-estar. E me diz uma coisa: nas suas metas deste ano, não estava lá algo como cuidar da saúde e ser mais saudável?
É exatamente nesse sentido que o mundo do turismo está se movimentando. Viagens com esse lifestyle sempre existiram, mas agora elas ganham mais voz e ecoam em diversas cidades do mundo.
A própria série The White Lotus, da HBO, que foi ao ar em 2025, foi gravada na Tailândia, no famoso Four Seasons Resort Koh Samui — um resort de luxo situado na baía de Laem Yai, no noroeste da ilha de Koh Samui. Cercado por praias de areia branca, jardins tropicais e um mar azul-turquesa, é um verdadeiro refúgio, com serviço de altíssimo nível e cenários paradisíacos.
Mas não precisamos ir tão longe para ver o wellness acontecendo. Em Gramado, no Rio Grande do Sul, temos o Kurotel – Centro Médico de Longevidade & Spa, um spa médico de luxo aqui no Brasil. Ele oferece tratamentos e terapias personalizados, com acompanhamento médico, ajudando cada pessoa a chegar onde deseja — tudo isso em um tempo de cuidado pessoal e exclusivo.
Mas o meu olhar sobre viagens wellness também vai além. Para mim, elas são, muitas vezes, aquelas viagens mais simples e autênticas. Quem nunca chegou a um hotel e pensou: “Vou conhecer o spa”? Ou “Vou dar uma caminhada pelo hotel, aproveitar essa área verde”?
Eu mesma amo quando os hotéis oferecem programações de wellness, como aulas de yoga. Poder acordar, me conectar com o meu corpo antes do café da manhã e começar o dia com mais leveza é algo que valorizo muito.
A tendência, no meu olhar, é também colocar na mala a roupa de treino — nem que seja para caminhar na esteira. Estar em viagem não significa deixar de se cuidar. Pelo contrário: é cuidar do corpo para ter mais disposição. Essa tendência já foi forte em 2025 e vem ainda mais consolidada em 2026.
Lembro da minha última ida a Miami. Vou para lá há muitos anos, mas dessa vez resolvi fazer algo diferente: caminhar pela orla — algo que eu nunca fazia antes. Acordava cedo, colocava o tênis, ligava o relógio e saía para caminhar. Claro, sempre parava para um chá gelado ou um café pelo caminho. Em alguns dias, mudava a rota e acabava passando por bairros onde nunca tinha ido antes. Quando eu via, já tinha caminhado 5 km e, além disso, estava cuidando do meu corpo.
Então, se você gosta de lifestyle wellness, pense em incluir pelo menos uma viagem por ano com esse foco. Aposto que ela será essencial.

Hotel em West Palm beach, antes de uma aula de Yoga um presente especial para meu momento de cuidado The Belgrove é aquele tipo de hotel que respira o cuidado pessoal, também.
Grocery shop tourism: o turismo de mercearia
Confesso que, quando li sobre essa tendência, fiquei em choque. Mas logo pensei: “Nossa, eu faço isso — e ainda desenho isso para os meus clientes.”
Essa tendência é sobre, muitas vezes, deixar de lado o restaurante famoso (ele até pode estar no roteiro) e buscar o local menos turístico. Envolve a experiência de ir a um mercado local ou até mesmo a uma padaria.
Eu amo pães. Amo mesmo. Então gosto de ir a lugares que tenham todo tipo de pão. Lembro que fizemos um stop em Roma há pouco tempo, eu e meu marido. Estávamos vindo de um voo longo e tínhamos uma conexão para Madri no dia seguinte. Decidimos passear pela cidade durante o dia — e, sério, conheci uma Roma linda em apenas um dia.
Não dava tempo de ir a restaurantes famosos. Ou era isso ou ver a cidade. Então fomos caminhando. Olhei para um café simples, vi alguns pães na vitrine e entrei. Pedi um café e uma pizza — e foi, sem exagero, a melhor pizza que comi na Itália. Um lugar simples, que nem lembro o nome. Mas ali eu vivi a cidade.
Ao meu redor, não havia turistas. Havia italianos lendo jornal, conversando sobre a vida, gente passando apressada, pegando seu café e indo embora. Aquilo me marcou.
Essa tendência é exatamente sobre isso: conhecer a cultura. Ouso dizer que é o verdadeiro turismo gastronômico.
Em lugares como os Estados Unidos e Portugal, eu amo fazer compras em mercados e provar sabores e marcas locais. Se estou em um hotel com cozinha, ou em uma casa ou apartamento, eu preciso cozinhar minha própria comida com ingredientes locais. Isso acontece muito comigo nos Estados Unidos, onde geralmente fico mais tempo.

Um café especial em algum lugar de Roma, mais local impossivel.
E a Condé Nast Traveller traz dados que reforçam isso: O relatório de tendências de 2026 da Hilton revelou que 48% dos viajantes cozinham suas próprias refeições nas férias, e 77% desfrutam do “turismo de mercearia”. Já o relatório do Skyscanner descobriu que 35% dos viajantes globais planejam visitar supermercados locais durante suas próximas férias. No TikTok, o tema já ultrapassa 50 milhões de postagens relacionadas.
Isso me faz olhar para a gastronomia em viagens de uma forma diferente. Você até vai querer o restaurante Michelin, o estrelado, o famoso. Mas também vai querer comer uma pizza em uma esquina qualquer de Nova York, só para se sentir um local — e não um turista.
Luxury train hopping: viagens de trem de luxo
A terceira tendência — e a primeira citada pela Condé Nast Traveller — é o Luxury Train Hopping, ou seja, viagens de trem de luxo.
Segundo a revista, alguns viajantes querem viver uma experiência quase como um cosplay da Era Dourada, quando as pessoas viajavam de trem pelo mundo, dormiam nele e faziam refeições luxuosas nos vagões ou em suas suítes. A ideia é “pular” de um trem para outro, vivendo aventuras sobre trilhos por dias ou semanas, conhecendo vários destinos — algo que antes era mais comum em cruzeiros.
Nesse estilo da Era Dourada, temos o icônico Orient Express, hoje operado pelo grupo Accor. Um trem lendário que, em 1883, ligava Paris a Istambul, passando por diversas cidades. Em 2025, ganhou novas rotas e datas, e em 2026 as reservas estão a todo vapor, com viajantes buscando exatamente isso: o diferente.
Quando falo de trens, lembro de várias viagens pessoais. Sempre tento ver se existe um trem ligando uma cidade à outra. Mesmo que eu não desça em todas, é uma forma de conhecer paisagens, ver cidades passando pela janela e entender o quão lindo o nosso mundo é. Aquela cena de filme: fones de ouvido, música melancólica, a vida passando… me sinto em um filme dos anos 80 (risos).
E quando falamos de trens, podemos falar também de luxo — mas entendendo que luxo é relativo. Para alguns, o luxo é o destino; para outros, é o serviço, o hotel ou a experiência.
No Peru, por exemplo, é possível pegar um trem até Machu Picchu, com algumas horas de duração, café da manhã a bordo, vistas sensacionais e apresentações culturais do país.
Ou então subir a bordo do Glacier Express, na Suíça — conhecido como o “trem mais lento do mundo”. Com teto panorâmico de vidro, ele atravessa os Alpes suíços e tira o fôlego. O trajeto passa por inúmeras curvas, túneis e pontes. A estação mais baixa, Chur, fica a 585 metros acima do nível do mar; o ponto mais alto é o Oberalppass, a 2.033 metros de altitude. Tudo isso enquanto se desfruta de pratos típicos da culinária suíça a bordo.
Dormir em um trem é uma experiência que ainda não vivi — mas confesso que está na minha bucket list.

Destinos que prometem brilhar em 2026
Quando falamos de tendências, também falamos de destinos. Separei alguns que a Condé Nast Traveller anunciou como tendência — e outros que, no meu olhar, estarão ainda mais em alta em 2026.

Província de Chiriquí (Panamá)
Um destino de belezas naturais impressionantes, em um país que muita gente conhece apenas como ponto de conexão. A Copa Airlines oferece voos diretos do Brasil para o Panamá e permite stopover, ficando um ou dois dias para explorar o país.
Segundo o Visit Panama, o grande atrativo de Chiriquí está na diversidade de experiências: praias praticamente intocadas, montanhas com florestas exuberantes, campos de café e até um vulcão imponente. É um destino que convida a relaxar, caminhar, explorar e se conectar com a natureza.
Confesso que sempre que faço conexão no Panamá penso: “Na próxima, eu fico.” Quem sabe 2026 não seja o ano?
Fez (Marrocos)
Ah, o Marrocos… Um país de cultura rica, gastronomia marcante e uma hotelaria encantadora. Já estive no Marrocos, mas apenas na capital. Fez é uma das cidades que mais tenho vontade de explorar.
Ela é considerada uma das cidades imperiais e foi capital do Marrocos até 1912. O souk é um dos principais atrativos, com temperos, tapeçarias, peças artesanais e couro. Lá também está a Universidade Al-Qarawiyyin, fundada em 859 por uma mulher, Fátima al-Fihri, reconhecida pelo Guinness como a universidade mais antiga do mundo.
Outro ponto icônico é o Curtume Chouara, em funcionamento há mais de mil anos, onde ainda se utilizam métodos tradicionais de curtimento de couro. Sem falar no Palácio Real, um dos maiores e mais antigos do país, datado do século XIV.
E a hotelaria… como o Palais Faraj Suites & Spa, que segundo a Virtuoso oferece vistas deslumbrantes da medina de Fez, reconhecida pela UNESCO. Construído em 1913 e restaurado em 2012, o palácio exibe um design marroquino sofisticado, com vitrais, azulejos arabescos e tecidos luxuosos.
Minas Gerais (Brasil)
Sim, o nosso Brasil está nessa lista — e isso só reforça o quanto o nosso país é lindo e ainda pouco explorado por nós mesmos.
Minas Gerais é famosa pela gastronomia, pela história, pelo pão de queijo (que nasceu lá) e pelos cafés, considerados por muitos os melhores do mundo. Eu já estive em tantos lugares pelo mundo, e Minas Gerais, a poucas horas de voo de onde moro, ainda não conheci. Está, sem dúvida, na minha bucket list.
Rota 66 (Estados Unidos)
Quem me conhece sabe o quanto eu amo os Estados Unidos, um dos destinos que mais vendo para os meus clientes.
Em 2024, fiz um pequeno trecho da lendária Rota 66 — aquela estrada que cruza paisagens, cidades e até lugares quase “fantasmas”. Fizemos o trajeto de carro, saindo de Las Vegas até Los Angeles, e paramos em um dos pontos icônicos da rota para fotos.
Mas confesso: o meu sonho americano é cruzar a Rota 66 inteira de motorhome, conhecendo cada cantinho. Ainda vou fazer isso — e prometo contar melhor essa experiência em outro post aqui no blog.


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